Poema: Quem é?

HL-POESIA

Um louco apaixonado foi bater à porta de sua bem-amada. Ela perguntou por trás da porta:

– Quem é? Ele respondeu:

– Sou eu! Ela disse:

– Não tem lugar para você e eu na mesma casa.

Então, ele foi para o deserto meditar e depois de alguns anos voltou a bater à sua porta. A voz de sua bem-amada perguntou:

– Quem é? Ele respondeu:

-É você mesma. E a porta se abriu.

Ibn’ Arabi.

Filosofando: Este texto nos apresenta o amor como uma fusão entre dois seres, a ponto de um e outro serem apenas um. É uma boa maneira de amar? Uma pessoa deve esquecer-se de si mesma para “entrar no amor”? Trata-se de um texto escrito por um místico. Portanto podemos ver nele também o símbolo do amor de Deus. Conforme esta parábola, só seriamos fiéis de verdade quando nos confundíssemos com o divino. Você acha que isso é possível? É desejável?

Beijos Beijos

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Conto: O anjo da morte

HL-POESIA

Uma manhã, um homem se apresentou no palácio do rei Salomão, em Jerusalém, com ar de assutado e cabelos desgrenhados.

– Eu lhe suplico, grande Salomão. Ajude-me a deixar esta cidade imediatamente.

– Você esta com medo de quê?

– Hoje de manhã. no mercado, cruzei com Azrael, o anjo da morte, e ele me lançou um olhar que gelou seu sangue. Tenho certeza de que ele esta aqui para me pegar. Ajude-me! Mande ao vento que me carregue para a Índia para salvação de minha alma.

Cheio de dó, Salomão ordenou ao vento que levasse o homem para a Índia e, de tarde, ele foi ao mercado em busca de Azrael. Salomão o reconheceu sem dificuldade e o interrogou:

– Por que você aterrorizou aquele pobre homem? Você causou tanto medo que ele abandonou sua pátria.

– Esse homem se enganou – respondeu-lhe Azrael. – Não olhei para ele com raiva, mas com espanto. Recebi ordem de ir procurá-lo na Índia justamente hoje à noite. E eu me perguntei: como é que ele pode esta lá de noite? Só se tiver asas!

Conto Persa

Filosofando: A morte está na ponta de cada destino. Determinadas religiões chegam mesmo a afirmar que nossa vida está escrita em um livro, do nosso nascimento até nossa morte. Segundo elas, ninguém escapa de seu destino! Então isso excluiria toda a nossa liberdade de escolha. Você acredita que somos assim “programados”?

Beijos Beijos

Conto: As uvas.

HL-POESIA

Quatro mendigos estendiam a mão, à frente da grande mesquita, quando um homem que saia deu a eles uma esmola.

– Pequem esta moeda e comprem o que bem quiserem! – disse.

– Já sei o que vamos fazer – disse o primeiro, que era persa. – Com este dinheiro, vamos comprar angour e vamos dividir.

– Não! – disse o segundo, que era árabe. – E quero inab.

– Nada disso! – disse o terceiro, que era turco.

– Nem angour, nem inab! Vamos comprar uzüm.

O quarto, que era grego, também não concordava. – Mas o que eu quero é stafil.

A realidade é que, sem saber, cada um em sua língua, queria a mesma coisa: uvas. Um belo cacho de uvas para dividirem entre eles e matar a fome e a sede.

Conto persa.

Filosofando: A comunicação entre os homens muitas vezes é prejudicada pelo problema da língua. Entretanto, será que esses problemas de comunicação desapareceriam mesmo que falássemos a mesma língua? Só existe a língua que nos separa e nos desune? Por que nem sempre conseguimos nos entender, mesmo falando o mesmo idioma?

Beijos Beijos