Parábola: Os ricos e os pobres

HL-POESIA

Era um período de fome. Entretanto, nem todo mundo morria por causa disso. Os ricos tiveram o cuidado de encher seus celeiros de trigo, azeite e legumes secos.

Khadidja disse então a Nasreddin, seu marido:

– A vida na aldeia está intolerável: metade das pessoas é muito rica, quanto outra metade não tem o que comer. Se você, que é respeitado por todos, conseguisse convencer os primeiros a dividir suas riquezas, então todo mundo viveria feliz.

– Você tem absoluta razão, mulher. Vou agora mesmo.

Nasreddin saiu de casa e só voltou à noite, completamente estressado.

– Então? – perguntou Khadidja, com impaciência.

– Você conseguiu?

– Pela metade.

– Como assim, pela metade?

– Pois é, consegui convencer os pobres.

Parábola de Nasreddin Hodja.

Discutindo: De fato, é mais fácil convencer os pobres a partilhar do que os ricos! No entanto, se os pobres se tornassem ricos, será que seriam generosos? E você? O que consegue partilhar com os outros?

Beijos Beijos

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Poema: Quem é?

HL-POESIA

Um louco apaixonado foi bater à porta de sua bem-amada. Ela perguntou por trás da porta:

– Quem é? Ele respondeu:

– Sou eu! Ela disse:

– Não tem lugar para você e eu na mesma casa.

Então, ele foi para o deserto meditar e depois de alguns anos voltou a bater à sua porta. A voz de sua bem-amada perguntou:

– Quem é? Ele respondeu:

-É você mesma. E a porta se abriu.

Ibn’ Arabi.

Filosofando: Este texto nos apresenta o amor como uma fusão entre dois seres, a ponto de um e outro serem apenas um. É uma boa maneira de amar? Uma pessoa deve esquecer-se de si mesma para “entrar no amor”? Trata-se de um texto escrito por um místico. Portanto podemos ver nele também o símbolo do amor de Deus. Conforme esta parábola, só seriamos fiéis de verdade quando nos confundíssemos com o divino. Você acha que isso é possível? É desejável?

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Conto: O anjo da morte

HL-POESIA

Uma manhã, um homem se apresentou no palácio do rei Salomão, em Jerusalém, com ar de assutado e cabelos desgrenhados.

– Eu lhe suplico, grande Salomão. Ajude-me a deixar esta cidade imediatamente.

– Você esta com medo de quê?

– Hoje de manhã. no mercado, cruzei com Azrael, o anjo da morte, e ele me lançou um olhar que gelou seu sangue. Tenho certeza de que ele esta aqui para me pegar. Ajude-me! Mande ao vento que me carregue para a Índia para salvação de minha alma.

Cheio de dó, Salomão ordenou ao vento que levasse o homem para a Índia e, de tarde, ele foi ao mercado em busca de Azrael. Salomão o reconheceu sem dificuldade e o interrogou:

– Por que você aterrorizou aquele pobre homem? Você causou tanto medo que ele abandonou sua pátria.

– Esse homem se enganou – respondeu-lhe Azrael. – Não olhei para ele com raiva, mas com espanto. Recebi ordem de ir procurá-lo na Índia justamente hoje à noite. E eu me perguntei: como é que ele pode esta lá de noite? Só se tiver asas!

Conto Persa

Filosofando: A morte está na ponta de cada destino. Determinadas religiões chegam mesmo a afirmar que nossa vida está escrita em um livro, do nosso nascimento até nossa morte. Segundo elas, ninguém escapa de seu destino! Então isso excluiria toda a nossa liberdade de escolha. Você acredita que somos assim “programados”?

Beijos Beijos